 27 de janeiro de 2008
Fórum Social: diversidade de tribos |
Público de dez mil pessoas lota o Aterro; em São Paulo
educação foi destaque Cláudia Lamego, Rodrigo Fonseca e Ronaldo D‘Ercole RIO e SÃO
PAULO. Tribos antiglobalização e cabeças preocupadas com as precariedades da saúde, da
educação e da economia lotaram o Parque do Flamengo ontem para o Rio Com Vida, o braço carioca
do Fórum Social Mundial (FSM), que, em 2008, descentralizou-se para dar visibilidade a
inquietações locais. Outros 18 países promoveram eventos integrados ao FSM, que pretende ser um contraponto ao Fórum
Econômico de Davos. Por isso, aconteceu no dia do encerramento do encontro da Suíça: o chamado
Dia de Mobilização e Ação Global do Fórum. Além do Rio, 18 outras cidades
do país (entre elas São Paulo, Curitiba, Belém, Porto Alegre, Natal e Fortaleza) sediaram
eventos similares, além de quase 60 iniciativas de debate espalhadas pelo Brasil. Com um
esquema de segurança garantido por dezenas de guardas municipais e policiais militares, o evento movimentou
o Aterro do Flamengo (do Catete à Glória) com shows variados e colóquios de juristas,
políticos, filósofos, artistas e ativistas sociais para uma multidão que começou a se
reunir às 10h de ontem. Por volta das 17h, os organizadores estimavam em dez mil o número de
participantes e visitantes que estiveram no Aterro durante todo o dia. O evento foi encerrado com um show do cantor
Martinho da Vila, apresentado pelo ator Milton Gonçalves. Cândido Grzybowski, diretor do
Ibase e do Conselho Internacional do FSM, comemorou o sucesso do evento, que, no ano que vem, terá a cidade
de Belém como sede: — Nós ficamos surpreendidos com o público, por causa da chuva e da
concorrência com os blocos de carnaval. Na tenda da economia solidária, tivemos até que ampliar
o espaço, porque aumentou muito o número de participantes de última hora.
O diretor teatral e dramaturgo Augusto Boal, candidato ao Prêmio Nobel da Paz, com o trabalho
humanista de seu Teatro do Oprimido, foi o palestrante que mais mobilizou a platéia. — A
imagem e a palavra estão na posse dos opressores. É importante que sejamos capazes de
restaurar a capacidade humana de fazer arte e usar essa expressão em favor do ser humano — disse
Boal. O teólogo Leonardo Boff elogiou o formato do evento, dizendo que ele destaca
a singularidade de cada local. Ao falar sobre a necessidade de se propor alternativas para salvar o
planeta, Boff criticou o presidente Lula pela falta de atenção do seu governo à ecologia:
— Aumentou o desmatamento da Amazônia e a culpa são dos setores do governo e dos bancos, BNDES,
que emprestam dinheiro para que se abram frentes de plantação de soja e milho, e para a
pecuária na Amazônia. Para o Ministério da Agricultura, quanto mais exportarmos
esses produtos, melhor. Essa é a contradição do governo, porque a ministra Marina Silva (do
Meio Ambiente) faz um trabalho sério. Lula não sabe manejar isso. Ele tem um
déficit em termos de ecologia. Isso tira a base de sustentação das políticas do meio
ambiente no país. Em São Paulo, houve o Sábado Feira, no Centro de
Eventos São Luis, região da Avenida Paulista, que além de exposições e
manifestações culturais teve como ponto alto um debate sobre educação, com a
participação do relator especial da ONU para o Direito à Educação, Vernor
Muñoz, num debate sobre o tema. O programa da Sábado Feira incluiu ainda debates e um encontro em que
refugiados palestinos falaram de suas experiências e das condições de vida antes de partirem
para o exílio no Brasil. SUÍÇA: Protesto contra Davos Manifestantes participam em Berna, na Suíça, de um
protesto contra o Fórum Econômico Mundial que acontece em Davos. A reunião de líderes
foi alvo de manifestações por todo o mundo. Em Seul, na Coréia do Sul, centenas de pessoas foram às ruas
gritar palavras de ordem contra o neoliberalismo, a guerra, a pobreza e a discriminação.
Em Manilla, nas Filipinas, mulheres também se uniram para protestar.
DESTAQUE DO GAP: TEXTO SUBLINHADO E NEGRITO
Fonte: JORNAL
O GLOBO |