É o sorriso forçado, meio sem
jeito, constrangido. O sentido da expressão tem, evidentemente, a ver com a origem da cor amarela, que vem
do latim amarus, amargo, acre, difícil, com derivação para o hispânico amarellu,
pálido. Em tempos idos e vividos, o vocábulo se aplicava aos doentes de icterícia, que ficam
amarelos devido a alterações na bílis, secreção amarga produzida pelo
fígado. Mas o amarelo também simboliza coisas muito boas, a partir de sua afinidade cromática
com o próprio Sol, fonte de vida.Antigamente, representava a cor atribuída aos deuses e ao poder dos
reis, príncipes e imperadores, então considerados de origem divina. Em certas pinturas medievais,
é a tonalidade de fundo para simbolizar a santidade dos retratados. Segundo Goethe,‘‘o amarelo
é uma cor alegre, graciosa e terna’’.Acrescentava, porém: ‘‘mas a mais leve
mistura desvirtua-a e a torna desagradável’’. Quem exibe um riso amarelo nem de longe
está pensando nesses aspectos históricos positivos, e muito menos pode ser considerado doente de
icterícia. Quase sempre só abre a boca num meio sorriso por questão de educação
porque no fundo, no fundo, está é pensando em chupar a carótida de seu interlocutor...
BAGUNÇA — No idioma africano quicongo, a palavra bulungunza significa desordem,
confusão. Já no espanhol arcaico, bagoo é báculo, cajado, bastão alto de
extremidade curva, usado pelos bispos como insígnia de sua missão. Em momentos de
conflagração, esse uso pacífico e quase sagrado desaparecia quando o báculo virava arma
em arruaças populares. O povão servia-se dele, mas também de barras de ferro e pedaços
de pau para enfrentar a polícia e os adversários.Tudo virava bagunça. Pouco tem mudado o
mundo. É só abrir os jornais ou ligar a TV e você vai ver grandes bagunças ao ar livre
ou em recintos fechados. Estas, aliás, têm sido freqüentes em plenários legislativos
coreanos e japoneses, com uso e abuso de muito bastão profano... PISTOLÃO
— É a força que ajuda alguém a conseguir um emprego com mais facilidade.Ao
contrário do que possa parecer, a palavra não é aumentativo de pistola, nem tem coisa alguma a
ver com arma de fogo. Na verdade, pistolão, vem da afinidade sonora com a palavra latina epistola, carta,
mensagem escrita e assinada recomendando alguém a quem possa melhorar-lhe a vida. É o padrinho
apresentando o afilhado.Verdadeira instituição nacional, o pistolão é repulsivo
expediente, sobretudo da vida pública brasileira, pois ignora o mérito e se limita ao apelo da
amizade ou do parentesco, vício que ultimamente tem sido minimizado pela quantidade de concursos abertos a
quem estuda e se esforça, sem privilégios, para assumir uma vaga em alguma empresa ou
repartição do governo. O aprovado, orgulhoso por ter conquistado o posto sem empurrão,
não precisa exibir riso amarelo no dia da posse... VENENO — A palavra vem de
Vênus, a deusa do amor entre os romanos, nascida da espuma do mar, mãe de Cupido, por todos desejada e
em cujo nome se fazia uma poção para despertar paixões.Daí surgiu a doença
venérea, também chama- da doença de Vênus,e o próprio veneno, em latim venenum.
Um dos venenos que ficou na História foi a cicu- ta, utilizada na Grécia Antiga para executar
condenados, um dos quais foi Sócrates que, ao receber a injusta sentença, bradou aos
juízes:‘‘Vós me condenais à morte, eu vos condeno à vida’’.
— que sacada! No cancioneiro popular brasileiro, o samba Gosto- so Veneno, cantado por Alcione, a Marrom,
refere-se ao amor como o mais apetitoso dos venenos. Cheia de razão... n n n A leitora Shirley Sousa, de
Sobradinho, DF, deseja saber a origem da expressão do tempo do ronca. Na verdade, prezada Shirley, a
expressão correta é do tempo do onça, não conheço registro para esse ronca. E
quem era o onça? Era o governador da cidade do Rio de Janeiro Luís Vahia Monteiro, militar
português que lá chegou em 1725. Muito ranzinza e severíssimo, ganhou esse apelido de
onça do povão, que o odiava. Destituído do cargo 7 anos depois, sumiu das terras cariocas
deixando um rastro de profunda antipatia e a lembrança de um tempo ruim, o tempo do onça... |