 17 de fevereiro de 2008
Escassez se agrava nas microempresas |
Além de contar com poucos recursos para
contratações, firmas perdem gestores para companhias maiores Nas micro e pequenas empresas de informática do Estado do Rio, o
problema da falta de profissionais que fazem carreira no ramo de tecnologia da informação
também acontece. Neste caso, o motivo não está só na escassez do mercado de
trabalho, como também na falta de recursos para contratação (de gerentes ou de
funcionários a quem delegar tarefas). Segundo o diretor do Sindicato das Empresas de
Informática do Rio (Serprorj), Luis Carlos Carvalho, o próprio dono da pequena empresa —
normalmente um profissional experiente, responsável por abrir novas frentes para o negócio —
acaba envolvido demais com questões técnicas, como programação de dados. Ficando,
portanto, sobrecarregado: — Mais que isso, é comum o empresário perder, para companhias
maiores, funcionários talentosos, nos quais ele aposta para a função de gerente. A
saída está no treinamento. Se a pequena empresa não pode pagar salários como os das
grandes, deve reter pessoas pela chance de aperfeiçoamento, que é uma solução mais
barata. Sem uma boa equipe, não se pode crescer. Ano passado, Araújo decidiu fazer uma pesquisa
por conta própria, para investigar a amplitude da questão: distribuiu um questionário a 70
empresas de micro e pequeno portes associadas ao Serprorj. Descobriu que, em 80% dos casos, o empreendedor estava
envolvido nessas atividades práticas. — É necessário formar quadros, dar
oportunidade de carreira e melhorar a qualidade da gerência nas empresas como um todo. Assim, a perda de um
bom funcionário não representará o fim do capital intelectual da empresa. Por
incrível que pareça, às vezes a companhia oferece treinamento, mas os funcionários
não aceitam. Isso já aconteceu na Nasajon Sistemas (uma companhia de grande porte), como lembra
Pierre Duque, gerente do departamento de Desenvolvimento. Ele, aliás, começou como programador
há 18 anos atrás e apostou, inclusive, numa pós-graduação.
‘As pessoas não gerenciam as suas
carreiras’ — Passei por uma
situação difícil, uma vez. Tive que demitir um colega que começou comigo na
profissão. Foi inevitável, ele ficou para trás — lembra Duque. — Ele sabia tudo de
programação. Mas o tempo passou, e a empresa foi trocando de tecnologia. Chegou um momento em que ele
sabia tanto quanto um estagiário, só que com um salário alto. Ainda hoje, acrescenta o
gerente, a situação se repete: — Eu me ofereço para conversar com os funcionários
sobre suas carreiras. Mas alguns respondem: “daqui a dez anos, quando a tecnologia mudar, pensarei
nisso”. As pessoas não gerenciam suas carreiras. Duque, ao contrário, se sente valorizado
pela empresa: — Sem dúvida, sou. Mas não é à toa. Já na faculdade, quis
progredir e consegui bolsa do CNPq. Sou obcecado pela qualidade, quero sempre o trabalho bem realizado. Para
quem se esforça, os salários são altos: um profissional certificado no sistema PMI, por
exemplo, já sai ganhando, de cara, R$ 10 mil. Fonte: O GLOBO ON-LINE
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