 17 de fevereiro de 2008
Tecnologia da informação sofre com falta de profissionais experientes e que saibam
coordenar equipes |
Flávia
Rodrigues Um certo tipo de profissional
do setor de tecnologia da informação (TI) vem dando a maior dor de cabeça às empresas.
Não porque trabalhe mal. Pelo contrário: porque trabalha bem. Trata-se de gente com um perfil
bastante específico: mínimo de dez anos de carreira, sólidos conhecimentos técnicos e
experiência em gerência de equipes. Das micro e pequenas empresas filiadas ao Sindicato das Empresas de
Informática do Rio de Janeiro (Serprorj) à multinacional Google, todas estão atrás
desse profissional. O diretor de Comunicação da Google Brasil, Félix Ximenes, diz que,
ainda que a gigante desperte a atenção de quem está no mercado de trabalho, é
difícil contratar pessoas assim: — Nossa preferência é, inclusive, por pessoas com
mestrado e doutorado. Mas a maioria dos brasileiros com essa qualificação está no exterior.
Sempre temos dificuldade de achar pessoas com essa experiência, aqui. E nos próximos dez anos, esse
déficit deve aumentar. Rosângela Caubit, chefe do departamento de segurança da
informação da Módulo, uma das maiores consultorias de TI do país, conta que, por causa
da escassez de mão-deobra, profissionais como ela acabam escolhendo onde querem trabalhar. Porém,
como são poucos os pares com a mesma qualificação, a sobrecarga acaba sendo grande.
— É complicado até achar quem nos substitua nas férias — conta Rosângela,
que tem 47 anos, fez doutorado em segurança da informação e vai completar 30 anos de
carreira. Se há uma unanimidade no setor, é a de que formou-se um vácuo no treinamento
dos recémformados. Por ganharem bem no início de carreira, muitos desistem de continuar estudando. Resultado: ficam desatualizados. — Essa é uma área em que o conhecimento circula muito
rápido. Muitas vezes, quando a pessoa aprende algo novo, já existe informação diferente
no lugar — diz a gerente de Recursos Humanos da Módulo, Karina Vidinha. Opinião
semelhante tem Cláudio Alves, que, com 15 anos de carreira, é diretor da Datasul no Rio. Ou seja, tem
o cobiçado perfil e dificuldades para contratar profissionais como ele. — As pessoas não
acompanham o mercado e se dedicam pouco à profissão. Tem muita oferta para quem começa, mas a
tecnologia também é muito rápida. Levei de janeiro a setembro do ano passado para encontrar
quatro gerentes — conta Alves, acentuando que hoje prefere formar gestores que ganham R$ 7 mil do que tirar
profissionais de outras empresas, por R$ 12 mil. — O problema é que essa formação exige,
em média, dois anos. É preciso obter prática, além da certificação,
emitida por institutos internacionais. Continua na página 3 DE OLHO NO MERCADO ONDE ESTUDAR: O Senac Rio tem
pós-graduações em “Engenharia de soluções” e
“Governança de TI”. Informações: 2517-9229. O Departamento de Informática
da PUC-Rio tem cursos livres e pós-graduações: www.cce.puc-rio.br. CURRÍCULOS: Entre as empresas que, regularmente, recebem cadastro estão Google
(www.google.com.br, em “Tudo
sobre o Google”), Nasajon Sistemas (www.nasajon.com.br), Datasul (www.datasul.com.br) e Módulo (www.modulo.com.br). Há, ainda, a RSI Informática (os e-mails devem ser
mandados para
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). Fonte: O GLOBO ON-LINE
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