Juliana Câmara
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Na hora de se alimentar, o brasileiro mantém a tradicional e nutritiva escolha pelo arroz, feijão e café, os itens mais consumidos diariamente no país, de acordo com dados da Pesquisa de Consumo Alimentar Pessoal no Brasil, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Erra, no entanto, ao combiná-los com alimentos muito calóricos e com baixo teor nutritivo, como refrigerantes, salgadinhos e doces. Quantidades de frutas, legumes e verduras consideradas adequadas pelo Ministério da Saúde (400g por dia) ficam de fora do cardápio de mais de 90% dos brasileiros, o que se reflete em crescentes taxas de sobrepeso e obesidade, principalmente entre os adolescentes. A pesquisa mostra ainda que 82% das pessoas comem mais gordura saturada do que o considerado adequado, o que também acontece com o açúcar, um exagero cometido por 61% dos brasileiros.
Em resposta a estes resultados, o Ministério da Saúde está desenvolvendo planos nacionais de controle e enfrentamento da obesidade e de doenças crônicas não transmissíveis. O objetivo é incentivar o consumo de alimentos naturais e reduzir a ingestão de sódio, açúcares e gorduras — os nutrientes mais presentes na mesa do brasileiro. O programa para doenças crônicas deve ser apresentado pela presidente Dilma Rousseff em reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) em setembro e um outro, voltado para o controle do peso, deve ser lançado no fim do ano.
— É preciso promover e apoiar a substituição de alimentos menos saudáveis pelos de maior teor nutritivo e que são produzidos no país, principalmente com sustentabilidade ambiental — disse a coordenadora geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Patrícia Constante Jaime.
Quanto maior a renda, mais refrigerante
Outros alimentos consumidos diariamente são a carne bovina, o pão de sal, os sucos, as sopas e caldos, as aves e o macarrão. Quarenta por cento dos entrevistados disseram comer fora de casa, o que acaba influenciando a preferência por comidas industrializadas e de preparo rápido, com muita concentração de sódio, gorduras saturadas e açúcar. Entre as pessoas de maior poder aquisitivo que vivem nas áreas urbanas apareceram os consumos mais elevados de pizzas, refrigerantes e salgados.
O estudo, que faz parte da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2008-2009) e analisou tudo o que 34 mil brasileiros com mais de dez anos comeram em dois dias, também mostrou que a população ingere uma média de 2.044 quilocalorias diárias (kcal). O país que vive a transição entre duas realidades — o combate à desnutrição e a necessidade de controlar a obesidade e o sobrepeso — ainda assiste ao baixo consumo de fibras e cálcio. Sessenta e oito por cento de adolescentes, adultos e idosos ingerem menos fibra que o recomendado pelas autoridades de saúde (2.200mg por dia). E a carência de cálcio é um problema principalmente entre os adolescentes de 10 a 13 anos de idade: 96,4% dos meninos e 97,2% das meninas têm uma dieta inadequada e consomem menos de 1.100mg de cálcio por dia. As quantidades de carboidratos e proteínas estão adequadas, com exceção dos moradores do Nordeste, que ingerem proteína além do considerado saudável.
Adolescentes abusam das guloseimas diariamente
Apesar da busca das adolescentes pelo corpo perfeito ultrapassar, muitas vezes, os limites do saudável, são elas, as brasileiras, que mais consomem gorduras saturadas e açúcares. A Análise do Consumo Alimentar Pessoal no Brasil, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ontem (28), mostra que 90% das meninas entre 14 a 18 anos comem mais gordura do que deveriam diariamente e 83% abusam do açúcar. “Isso é um paradoxo que mostra o mundo em que vivemos e um grande desafio para quem trabalha com saúde no Brasil. Comer hoje é fácil e os adolescentes são ansiosos, precisam de agilidade”, diz Joana de Vilhena Novaes, coordenadora do Núcleo de Doenças da Beleza da Pontifica Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
Fonte: Jornal O Globo | Publicada em 29/07/2011
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