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28-09-2011

Profissional sustentável

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MATÉRIA REFERENTE AO TERCEIRO TRIMESTRE DE 2011
Funcionários do futuro para uns, 'eco chatos' para outros, militantes ecológicos
multiplicam nas empresas ações que preservam o meio ambiente


Cada brasileiro é responsável, anualmente, pela produção de 378 quilos de lixo e pela
emissão de cerca de oito toneladas de gás carbônico (CO2). Multiplicados pela
população -ou mesmo pela quantidade de habitantes do Rio - esses números
assustam. Mas existe um time de profissionais que tenta co-laborar com a
preservação do meio ambiente durante o tempo que gasta com seu trabalho, ou seja,
onde passa grande parte do seu dia. Por iniciativa própria, levam para as empresas
atitudes sustentáveis e, com pequenas ações, influenciam colegas e até diretores,
mostrando que é possível, sim, fazer a diferença.
É ocaso de Luanara Damasceno, coordenadora de RH da WeD o Technologies, que
começou um movimento pela diminuição das impressões de textos para evitar ogasto
excessivo de papel. Luanara, que se diz adepta da filosofia dos cinco "R's" - reduzir,
reutilizar, reciclar, recusar e repensar - conta que todos na empresa tinham o hábito
de imprimir demais.
- Daí, comecei uma campanha interna para acabar com essa prática e virei uma
espécie de vigilante. As pessoas falavam: "imprime escondido da Luanara" - revela
acoordenadora, que, de tanto insistir, acabou ganhando a adesão dos colegas.
-Valeu apena porque acabou havendo uma conscientização. Hoje em dia, não
precisamos de papel, podemos levar o laptop para uma reunião.

Empresas costumam endossar projetos

● Mas será que vale a pena enfrentar a resistência dos colegas e passar por
"ecochato" para promover mudanças dentro do universo empresarial?
- O engajamento individual é muito importante. O trabalhador que está atento para as
questões ambientais e de sustentabilidade é o profissional do futuro. Esse cara pode
fazer uma revolução - acredita Denise Chaer, consultora em sustentabilidade
empresarial e antropóloga.
Funcionária do Departamento de Marketing da Amil, a paulista Fernanda Shintaku
ficava incomodada com a falta de uma gestão responsável do lixo. Resolveu, então,
gravar um vídeo para incentivar a implantação da coleta seletiva, e teve seu projeto
endossado pela direção da empresa.
- Parece pouco, mas fazemos a nossa parte, ajudando o planeta e até as pessoas a
terem uma renda - defende Fernanda, acostumada a separar o lixo em casa.
Experiência parecida teve Kelvin Salles. Coordenador do canal Premiere FC, da
Globosat, há quase dez anos Salles ficou impressionado com a quantidade de
latinhas usadas - descobriu que, na época, o consumo mensal era de 14 mil -e
resolveu fazer uma campanha para implantar um sistema de reciclagem. Pesquisou,
entrou em contato com cooperativas e procurou a diretoria para mostrar o projeto, que
foi implementado e continua ativo.
- Dei o pontapé inicial e criei um comitê responsável pela reciclagem - conta Salles,
que sugeriu que latas e papéis ficassem armazenados na garagem da empresa, para
serem recolhidos quinzenalmente por cooperativas de catadores.

Pequena ação, se for contínua, é eficiente

● Cansado de passar horas no trânsito para fazer o trajeto de 40 quilômetros entre
Botafogo e Jacarepaguá todos os dias, o jornalista Cesar Daguer organizou um
esquema de caronas com três colegas moradores da Zona Sul.
- Assim, a gente contribui para melhorar o trânsito, ajuda a preservar o meio
ambiente, já que são menos carros circulando, e também ganha qualidade de vida -
diz Daguer, que trabalha no Projac, onde, segundo ele, a cultura da carona é bem
disseminada. - Como são poucas as rotas de ônibus, as pessoas sempre oferecem
carona. É muito comum, inclusive, funcionários escreverem no Facebook quando
estão indo embora para ver se tem alguém da empresa saindo para o mesmo lugar.
A redução de emissão de gás carbônico promovida por Daguer e seus colegas pode
não parecer significativa quando se tem em mente o total de CO2 presente na
atmosfera mundial. Mas, segundo o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas
Espacias (INPE), Jean Ometto, se a frota mundial de carros fosse dividida por quatro,
o impacto positivo sobre a qualidade do ar seria enorme.
-Qualquer ação é importante, desde que seja duradoura. Atos pequenos, como dar
carona, se feitos de forma contínua, contribuem muito para atenuar as emissões e
melhorar a qualidade do ar. Pequenas ações podem, sim, reverter o quadro - diz
Ometto.
Robson Combat, gestor de INFORMÁTICA da Eco Sistemas, também tenta contribuir
com a qualidade do ar indo trabalhar de bicicleta. Para ir de Botafogo a Niterói, gasta
cerca de uma hora entre a travessia de barca da Baía de Guanabara e o tempo que
leva pedalando.
- Acredito estar fazendo uma ação direta para melhorar a minha vida não só agora,
como no futuro. Creio na força de cada pessoa e o que faço para contribuir é usar a
bicicleta.
Robson faz parte de uma ONG, a Bike Anjo, que orienta pessoas a pedalarem no
trânsito. Com sua experiência, já conseguiu, inclusive, alguns adeptos dentro da
empresa.
- Muita gente acha legal, mas não tem coragem, então dou dicas. A companhia vai se
mudar de Niterói para o Centro do Rio e algumas pessoas já decidiram que farão o
trajeto de bicicleta - diz Combat.
Pedalar é realmente uma opção de transporte ecológico. Mas a consultora em
sustentabilidade empresarial Denise Chaer diz que há um forte romantismo nesse
incentivo.
- Claro que é uma iniciativa muito boa, mas ela não pode ser adotada por todos. É
muito importante para o meio ambiente que o maior número de pessoas possível opte
pela bicicleta em vez do carro, mas existem outras formas de cooperar - lembra
Denise.
O advogado Jakson Jaku, que trabalha na SuperVia, encontrou uma forma de
colaborar recolhendo pilhas, baterias e óleo de cozinha em casa e com seus amigos e
parentes.
- Junto tudo no meu carro e levo para jogar fora no trabalho. Muitas empresas têm
recipientes para o descarte correto, mas os funcionários nem sabem. É legal procurar
saber.
Juliana Nunes, analista de marketing da Unigranrio, faz a sua parte evitando o uso de
copos descartáveis. Em sua mesa, ela tem uma garrafa térmica para água e uma
xícara de porcelana para o café:
- O copo descartável é prático, mas, se cada um usar dois por dia, no fim do ano
chegará a uma grande quantidade. A minha atitude pode parecer de formiguinha, mas
acho que ajudo a evitar problemas maiores.
O fato é que as "formiguinhas" estão atraindo atenção do mercado de trabalho.
- É difícil fazer com que as pessoas se engajem e acreditem. Quem tem esse perfil e
aceita sair da zona de conforto se destaca. As empresas estão buscando profissionais
que se envolvam com o que é novo - garante Denise.

Fonte:
Jornal O Globo | Publicada em 28/08/2011
Informação em Destaque: Texto sublinhado e negrito
Esta notícia foi reproduzida para fins didáticos

Todos os direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Última modificação em Qua, 28 de Setembro de 2011 22:23
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