Novas construções transformam a paisagem da cidade, que já vive verdadeiro "boom" imobiliário
Poucos se deram conta de que a iniciativa da Petrobras de construir em Itaboraí o Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj), um dos maiores investimentos de sua história, promoveria revolução urbana semelhante à vivida pela capital do estado no século passado, época em que prefeitos fizeram intervenções para embelezar a cidade, inauguraram e ampliaram avenidas até limites antes inimagináveis e ergueram no Morro do Corcovado o símbolo maior da cidade, o Cristo Redentor.
"O futuro chegou", atesta Marcos Saceanu, diretor de Incorporação da PDG CHL - lembrando que a primeira refinaria da Petrobras no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro inicia as operações em 2013.
É o momento ideal, portanto, para vislumbrar e investir em novos negócios procurando fazer o que Saceanu qualifica de casamento perfeito entre o início das atividades de grandes projetos industriais e a conclusão de grandes empreendimentos imobiliários necessários para atender a quem vai viver e trabalhar no local. Hoje, os valores de aluguel e de venda seguem trajetória de alta em Itaboraí, principalmente pela falta de unidades disponíveis para atender a crescente demanda e acomodar quem vem para a construção do Comperj.
Consultor imobiliário na região, Wagner Gonçalves Antas informa que é possível encontrar lojas com preço de venda de até R$ 14 mil o metro quadrado, ou de R$ 1,5 mil o aluguel. Em prédios residenciais, um apartamento de três quartos pode ser vendido por R$ 5 mil o metro quadrado, com R$ 3,5 mil de aluguel. Aumento de 40% nos preços. Já o diretor comercial da Patrimóvel Niterói e da Basimóvel, Bruno Certa Pinto, conta que Itaboraí passou a ser vista também como mercado potencial para companhias de capital aberto investirem.
O diretor de Incorporação da PDG CHL acrescenta que o complexo petroquímico atraiu 50 mil moradores, elevando a população da cidade para perto dos 300 mil habitantes. "Só este ano, mais de 100 novas empresas se instalaram na região", exemplifica. É razão suficiente para a incorporadora começar a vender, nesta segunda quinzena de agosto, as unidades do complexo imobiliário Enterprise City Center, que será erguido em Itaboraí. "O mercado acompanha os grandes movimentos de infraestrutura. Nós apostamos na transformação de uma cidade que vai receber 700 indústrias, um milhão de moradores até 2020 e gerar perto de 200 mil empregos diretos e indiretos no auge da implantação do Comperj", adianta Saceanu, acrescentando que a área de influência do complexo da Petrobras também abrange outros municípios do interior do estado.
Imóveis na cidade têm alta liquidez e há quem compre sem ir ao local
O diretor comercial da Patrimóvel Niterói e da Basimóvel, Bruno Certa Pinto, informa que, desde outubro de 2010, a empresa registrou 13 lançamentos em Itaboraí, com mais de mil unidades vendidas. De outubro a dezembro, foram R$ 100 milhões em vendas; e outros R$ 100 milhões, neste primeiro semestre de 2011.
A perspectiva é faturar outros R$ 350 milhões até o fim deste ano, valor que inclui o maior empreendimento imobiliário previsto para a cidade, o Enterprise City Center, da PDG CHL, com valor geral de vendas da ordem de R$ 250 milhões. Em um mês de pré-lançamento já reuniu 600 clientes cadastrados. "O Enterprise é um projeto com dimensões comparáveis aos da Barra da Tijuca, no Rio, ou aos de São Paulo", diz Certa Pinto.
Mais do que o valor de venda dos imóveis, o diretor da Patrimóvel Niterói aponta como grande característica do mercado de Itaboraí a altíssima liquidez. "Há quem compre sem nem pisar no local. A pessoa acessa pela Internet, recebe o contrato via email, assina e manda por Sedex", informa. "São investidores que visam tanto a locação quanto a valorização imobiliária, além do pessoal da cidade, em busca de imóveis residenciais".
Rentabilidade é atrativo
O executivo da imobiliária calcula que o aluguel de um apartamento de sala e dois quartos esteja em torno de R$ 2,5 mil. Ele explica que, em geral, a rentabilidade dos investidores fica em 0,5%, mas a dos imóveis em Itaboraí já equivale ao dobro da recebida normalmente por quem compra o patrimônio para auferir renda. Na opinião de Certa Pinto, é tendência que se repete em todas as regiões onde existem atividades ligadas à indústria petrolífera. A filial da Patrimóvel em Itaboraí foi aberta em outubro, com 70 corretores, 60 moradores da cidade.
O secretário de Meio Ambiente e Urbanismo de Itaboraí, Adelmo Santos, informa que o gabarito na cidade é limitado a construções de 36 metros. Cita, ainda, recente resolução de sua secretaria que estabeleceu exigência de que novos empreendimentos residenciais tenham vagas de garagem.
Fonte: Jornal O Globo | Publicada em 09/08/2011
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Última modificação em Qua, 28 de Setembro de 2011 20:17