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12-02-2015

Progresso e atraso na cidade em ebulição Destaque

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Novos prédios e arrecadação crescente contrastam com saneamento básico próximo a zero em Itaboraí

Prédios modernos erguidos a poucos metros de uma criação de cabras. Engarrafamento de ônibus na antiga estrada vicinal, onde o gado ainda pasta. Na praça cercada de prédios históricos, dificuldade para estacionar. E, ao lado das ruínas de um convento do século XVII, torres de ferro e tubulações da indústria petrolífera. São rápidas e drásticas as transformações na Itaboraí do Complexo Petroquímico do Rio (Comperj).

 

A população cresceu 21,5% de 2000 a 2013, passou de 185.423 para 225.263 habitantes. Na economia, a arrecadação praticamente dobrou nos últimos três anos, chegando a R$ 647,4 milhões. Mas a favelização e a violência também aumentaram. Enquanto a infraestrutura da cidade, até pouco tempo com ares de interior, avança em marcha lenta: de cada três casas, duas não têm rede de água, apenas 1,99% do domicílios contam com rede de esgoto e 95% das ruas não são asfaltadas.
A cada esquina há reflexos de uma Itaboraí em transe. Um dos mais visíveis tira a paciência da empregada doméstica Maria Augusta dos Santos, de 53 anos. Debaixo de sol forte, ela esperava numa fila que serpenteava em frente a uma agência bancária do Centro. Não era a única. Para onde se olhasse naquela manhã, em loterias, lojas ou supermercados, pessoas se amontoavam à espera de atendimento.

Na cidade das filas, como muitos já apelidam o município-sede do Comperj, conseguir acesso a serviços básicos é tarefa hercúlea. Estima-se que, apenas a população flutuante (moradores de outras regiões que estão em Itaboraí a trabalho) chegue a 50 mil pessoas. E a agitação é ainda maior todo dia 5 de cada mês, quando os operários da refinaria recebem seus salários.

— Não se consegue fazer nada sem horas nas filas. Para ir ao banco é preciso um dia inteiro. Comprar qualquer produto no mercado é uma dificuldade. A infraestrutura não suportou a avalanche de gente que chegou — dizia Maria Augusta.

Prédios, shoppings e hotéis em construção também evidenciam novos tempos. Ao menos 30 empreendimentos estão em andamento. O setor imobiliário calcula que estão sendo construídas, no momento, 1.800 novas unidades residenciais, a maioria em edifícios de 15 a 20 andares. E condomínios de luxo são planejados por toda a extensão da RJ-114, antes uma acanhada via de ligação de Itaboraí a Maricá e que ganha o status da “estrada do petróleo”. Diretor-superintendente da Brasil Brokers, Bruno Serpa Pinto diz que a empresa já comercializou, desde 2010, mais de 3 mil unidades na cidade. Trata-se, em suas palavras, de um mercado “extremamente ativo e em desenvolvimento”.

— Em 2011, vendemos 900 unidades, entre lojas comerciais, flats e residenciais, em um único mês. Um shopping, o Itaboraí Plaza, começa a funcionar no segundo semestre e tem mais de 70% dos espaços locados. A cidade também ganhará seu primeiro centro comercial com heliponto, em junho. No ano passado, vendemos 250 lotes com terrenos a partir de R$ 75 mil. De dezembro para cá, os terrenos já se valorizaram — afirma Serpa Pinto.

Favelização avança

Mas essa nova Itaboraí convive com uma antiga. O déficit habitacional é de 13 mil unidades, segundo a prefeitura, sobretudo em bolsões de pobreza que se expandem. O boletim de Monitoramento de Indicadores Socioeconômicos nos Município no Entorno do Comperj (realizado pela UFF, Fundação Euclides da Cunha, ONU-Habitat e Petrobras) aponta que a cidade tinha 26 assentamentos precários em 2011, onde já existiam 11.665 domicílios (30% a mais do que os 8.970 de 2005). Um avanço maior do que o experimentado pelo conjunto de municípios afetados pelo Comperj, que foi de 18% no mesmo período.

Quanto à habitação, diz o relatório, em Itaboraí existe uma “forte tendência à informalidade”. Com 3.474 domicílios, a Reta Velha e a Reta Nova são as maiores comunidades, ambas na área mais populosa próxima ao Comperj. E, nas duas, a maioria vive em condições de saneamento precárias. Na Reta Nova, o poço artesiano no quintal da dona de casa Iolanda Galete, de 65 anos, é a salvação para ela e vizinhos.

— Eles vêm aqui buscar água em baldes e garrafas. Como minha casa fica num terreno um pouco mais alto, a água é melhor. Na deles, fica barrenta, com cheiro de esgoto. Não dá para usar para cozinhar nem beber — diz Iolanda, que mora num imóvel cujo esgoto cai num brejo. — Quem dera tivesse água e esgoto. É o nosso sonho. Parece até que a gente foi esquecido neste lugar. Queria mesmo é voltar para de onde vim, Itaperuna (no Noroeste fluminense) — completa.

A violência também aflige o lugar. A presença do tráfico de drogas está marcada nos muros e fachadas das casas, com pichações de uma facção criminosa. Situação que fez o governo estadual prometer uma Companhia Destacada da Polícia Militar no que já vem sendo chamado de Complexo da Reta.

Essa realidade violenta, contudo, não se restringe a essas comunidades. Nos últimos três anos, a região do 35º BPM, que inclui Itaboraí, Tanguá, Cachoeiras de Macacu, Rio Bonito e Silva Jardim assiste ao aumento de crimes como os contra o patrimônio. Os casos de roubo a estabelecimentos comerciais, por exemplo, passaram de 79 em 2011 para 98 em 2012 e 162 ano passado, mais do que dobraram no período. Já os roubos a residência se mantiveram estáveis em 2011 e 2012 (26 e 25 registros, respectivamente), no entanto, também dobraram em 2013, com 53 casos. Os roubos de veículos foram de 205 (em 2011) para 200 (2012) e, em seguida, avançou para 318 registros ano passado (59% a mais em relação ao ano anterior). Enquanto os roubos a transeuntes chegaram a 560, 28% a mais do que os 437 de 2012 (em 2011 tinham sido feitos 470 registros).

O medo de virar uma “nova Macaé”

Uma das frases mais repetidas na cidade, até pelas autoridades do município, é que Itaboraí não quer ser uma nova Macaé, em referência à expansão de favelas e da violência na cidade do Norte fluminense afetada pela indústria do petróleo. Mas há fatores que pendem para lado positivo da balança. Apenas em ISS, o município arrecadou em 2013 R$ 266,9 milhões, contra R$ 45,9 milhões três anos antes. Numa comparação com 2007, a arrecadação foi quase 3 mil vezes maior. Entre 2000 e 2011, o total de empregos formais no município cresceu 160%, passando de 13.688 para 35.641 postos de trabalho. E a taxa de desemprego caiu de 20,6% para 10,1%.

Nesse período, grandes redes de lojas varejistas e supermercados abriram as portas na cidade. Mas também muitas pequenas e médias empresas iniciaram suas atividades. Em 2006, eram pouco menos de 1.500, chegando a 2.009 em 2011. De olho na maior circulação de dinheiro e do maior fluxo de consumidores, o empresário Marcelo Marchori, de 33 anos, decidiu abrir uma loja de chocolates numa das principais galerias da cidade. Ele conta que, quando chegou, há três anos, era preciso ir a Alcântara, em São Gonçalo, para quase tudo.

— Hoje não é mais assim, tem tudo aqui. Os dois primeiros anos foram muito difíceis. Depois melhorou. O poder aquisitivo local é bastante razoável. Na minha loja, as maiores e mais caras cestas de chocolates vendem mais do que nas lojas da rede em Niterói, por exemplo.

Mas as desigualdades sociais despontam como um flagelo. A cidade amarga uma 62ª posição no estado no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M, com 0,693), abaixo da média estadual, de 0,761. Em 2011, Itaboraí tinha 26% da população vivendo em domicílios com renda per capita abaixo da linha da pobreza. E muitos bairros não assistem aos avanços esperados com a chegada do empreendimento da Petrobras.

— Queria ver tudo bonitinho. Com o Comperj, achei que (as melhorias) viriam mais rápido. Não sei o que acontece. Melhora em uns lugares, em outros não. Aqui é parado mesmo. É vaca no meio da rua, tanto lixo, esgoto... Fazer o quê? Eu queria morar num lugar melhor, que tenha calçamento. É uma roça, né? — dizia a moradora Aparecida Conceição, do Bairro Amaral, vizinho do Comperj.

Em outra da comunidades mais pobres da região, a da Bacia, no bairro Itambi, formada por pescadores e coletores de caranguejo, o cenário é parecido. Embora fique perto da captação de água da Cedae para o sistema Imunana-Laranjal, que abastece Niterói e São Gonçalo, os moradores não têm rede oficial. Eles mesmos fizeram uma ligação clandestina na tubulação da companhia. E o esgoto é lançado no mesmo rio em que as famílias tiram seu sustento. Muito embora, ao lado do campinho de futebol local exista uma estação de tratamento de esgoto que nunca funcionou, abandonada há anos.

Parada também ficou a construção de um condomínio do PAC na BR-493, para onde os moradores ribeirinhos de Itambi serão transferidos. As obras ficaram pelo menos dois anos abandonadas, e só foram retomadas recentemente. Mesmo assim, os pescadores dizem preferir ver a vida melhorada no próprio bairro, perto da área de trabalho. Resignados, os mais jovens vão deixando a atividade da pesca.

— Meus dois cunhados trabalham no Comperj. São empregos temporários e, quando acabarem as obras, termina também o trabalho. Os bons postos eles não vão conseguir, pois não têm qualificação. E se acabar o mangue, depois acabarem as oportunidades, nós não sabemos o que fazer — lamenta Gabriela Rosa, de 21 anos.

Situação que faz os moradores mais antigos, como Octacílio Gonçalves, de 74 anos, a desencorajarem os mais novos a seguirem a tradição da pesca que passou de geração em geração.

— Falo para eles arrumarem logo um serviço enquanto é tempo. Aqui, só esperamos o pior. Se um dia decidirem que não podermos mais entrar no mangue, os que os mais jovens vão fazer?

Fonte: Jornal O Globo
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