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12-02-2015

Pouco gás nas obras do Comperj Destaque

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Oito anos após ser anunciado, complexo petroquímico em Itaboraí se resume a uma refinaria e já custa o dobro

por Emanuel Alencar e Rafael Galdo

Num discurso inflamado, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva profetizava uma revolução. Na zona rural de Itaboraí, na Região Metropolitana, nasceria o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), capaz de tirar a cidade e os municípios vizinhos da penúria econômica e social.

Apresentado, em junho de 2006, como um eldorado de oportunidades, o projeto criaria 212 mil empregos diretos e indiretos e, nas palavras do próprio Lula, em cinco anos transformaria Itaboraí numa referência mundial.

Transcorridos oitos anos, a realidade passa longe da promessa. Os ventos de bonança não sopraram tão forte assim. Alterado e modificado várias vezes, o atual projeto patina no cronograma, com 68% das obras concluídas, segundo a Petrobras, empregando cerca de 29 mil pessoas. O início de operação, previsto para 2012, foi estendido para agosto de 2016. Mesmo assim, até lá ficará pronta apenas uma unidade de refino, com capacidade para 165 mil barris de petróleo por dia. Uma segunda refinaria, além de unidades petroquímicas que atrairiam outras empresas do setor, continuam em avaliação.

O descompasso entre a previsão e a execução das obras estourou no orçamento. No lançamento da pedra fundamental do Comperj, o investimento anunciado era de US$ 6,5 bilhões. “É tanto dinheiro que a gente nem consegue imaginar”, dizia Lula. Valores ainda mais impressionantes agora, quando o Plano de Negócios e Gestão da Petrobras prevê mais do que o dobro do orçado inicialmente: US$ 13,5 bilhões, para finalizar a primeira parte do projeto. Em toda a região de Itaboraí a frustração é evidente. A promessa de esplendor do petróleo atraiu gente do Brasil inteiro. Mas, se considerado que a Refinaria de Duque de Caxias (Reduc, inaugurada em 1961, com capacidade de refinar cerca de 230 mil barris de petróleo por dia) tem 1.800 funcionários, quando a do Comperj, moderna e automatizada, estiver pronta deverá gerar ainda menos empregos, prevê a prefeitura de Itaboraí.

Enquanto a prosperidade anunciada não passa de um arremedo, se intensificaram problemas. Desempregada, Flávia Garbeto da Costa vê da varanda de casa novos prédios surgirem às margens da Avenida Vinte e Dois de Maio, a principal da cidade.

Se a paisagem se transforma drasticamente, antigos moradores não veem melhorias significativas até agora. Dificuldades de acesso a serviços públicos e privados, falta de saneamento básico e transportes de má qualidade são dramas que persistem.

— Quem está chegando agora a Itaboraí vive feliz da vida nos prédios novos. Nós que estamos aqui há muitos anos ficamos no descaso. Estávamos acostumados com um estilo de vida mais simples. Agora Itaboraí está uma revolução só. Tudo encareceu. Não tem esgoto, água... Na minha rua tem asfalto só até a esquina. Ônibus aqui é horrível. Tem muita gente na rua, está tudo lotado. A cidade não vai e não está comportando a quantidade de pessoas que veio para cá depois do Comperj. É preciso ter uma paciência de Jó para morar aqui — diz ela.

A vida pacata da aposentada Ilídia da Conceição, de 69 anos, também mudou. Numa pequena casa à beira da estrada que liga a RJ-116 ao principal acesso do Comperj, ela viu a escola do bairro ser demolida para ampliação e asfaltamento da via, a tranquilidade se esvair com o vaivém de caminhões e as torneiras secarem depois do início das obras.

— Moro aqui há 26 anos. Desde que a Petrobras chegou, não tem mais água nos poços. Às vezes consigo captar alguma coisinha. Mas, para beber, preciso comprar água mineral. Além disso, agora vivo com medo de sair à rua e ser atropelada pelos caminhoneiros — diz Ilídia.

Nem o ambiente empresarial navega em mares tranquilos. Um estudo da Firjan e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), de 2008, previa que num cenário conservador 362 novas indústrias do setor material plástico se instalariam no estado devido ao Comperj. Gerariam cerca de 15 mil empregos diretos, investimentos de R$ 900 milhões e um faturamento anual próximo de R$ 2,4 bilhões. Mas as expectativas, por enquanto, ficam no papel.

Além disso, de acordo com o Avaliação Ambiental Estratégica do Comperj, também de 2008, o complexo foi projetado para produzir cerca de 2,3 milhões de toneladas por ano de três tipos de plásticos: polietileno, polipropileno e PET. Seriam vendidos, em forma de pelotas de resina brancas ou coloridas, para as chamadas indústrias de terceira geração, que fabricam produtos plásticos finais conhecidos pelos consumidores. A Petrobras afirma agora que o complexo produzirá em 2016 derivados de petróleo, como óleo diesel, nafta petroquímica, querosene de aviação, coque e gás de cozinha (GLP).

Uma mudança de configuração que, para o secretário de Desenvolvimento Econômico e Integração com o Comperj de Itaboraí, Luiz Fernando Guimarães, não atrai tantas empresas quanto o esperado.

— Fora a Petrobras, as indústrias estão vindo para Itaboraí por causa do Arco Metropolitano (estrada que ligará a região ao Porto de Itaguaí) ou devido a incentivos fiscais. Economicamente, temos buscado uma compensação do que não houve (com o Comperj), para aquilo que micou, frustrou. Muitas empresas, principalmente as ligadas à petroquímica, não vieram. Ficou um vácuo — afirma Luiz Fernando.

Segundo ele, um estudo da prefeitura em andamento mostrará, inclusive, que o Arco Metropolitano tem significado mais possibilidades para a região do que o Comperj. Também está sendo implementado na cidade o Pólo Industrial Geração II, formado por empresas do ramo industrial, de logística e de serviços. E esse conjunto de iniciativas — incluindo o Comperj, embora com menor peso do que o esperado — levou Itaboraí a registrar 500 novas empresas de 2008 a 2013. Quanto ao complexo petroquímico, diz o secretário Luiz Fernando, ainda há incertezas sobre o real impacto do empreendimento:

— É preciso apagar todos os números anunciados e fazer tudo de novo. Projetaram uma gigante petroquímica. Não vai ter mais uma petroquímica aqui nos próximos anos. Inflaram o projeto, depois esvaziaram. Não tem como medir esse impacto. Escolher Itaboraí para implantar uma refinaria foi importante, fator de desenvolvimento interessantíssimo para a pequena Itaboraí. Mas incomoda essa falta de informação à população. O grande erro está aí. Acho que o órgão de proteção de propaganda e marketing que deveria estar preocupado com isso. Fizeram uma propaganda que não foi verdade.

Ao fazer um balanço do Comperj, o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Julio Bueno, ressalta que mesmo a instalação de uma única refinaria é “um presente para o estado do Rio”, embora reconheça que o projeto, hoje, gera “bem menos empregos” do que o originalmente previsto:

— Uma refinaria num lugar sem absolutamente nenhum dinamismo econômico é algo espetacular.

Mas sem dúvida as previsões agora são completamente diferentes. O Comperj deixou de ser um polo petroquímico e virou uma refinaria convencional. A conjuntura é outra, o Brasil precisa buscar um preço competitivo do gás natural. Penso, porém, que o país não vai abdicar da petroquímica, e o Comperj é estratégico.

Na avaliação do economista Adriano Pires, mestre em planejamento estratégico pela UFRJ, o governo federal é o responsável pelo “fiasco” do Comperj. Ele é taxativo ao afirmar que as dificuldades financeiras da Petrobras, que está priorizando os investimentos no pré-sal, e a ingerência política na estatal foram determinantes para um desfecho melancólico.

— O grande projeto anunciado era a construção do polo petroquímico, que levaria para o entorno do Comperj empresas de segunda e terceira geração, criando uma grande quantidade de empregos. A refinaria minúscula que efetivamente sairá do papel emprega pouco e é uma indústria poluente. Além disso, todos os investidores estão buscando gás natural quatro vezes barato nos Estados Unidos. E o governo sufoca o caixa da empresa para controlar a inflação. É mais um abacaxi que o governo deixa para a próxima administração — dispara.

Em nota (a empresa não atendeu os pedidos do GLOBO de entrevistas), a Petrobras afirmou que o primeiro trem de refino do Comperj deve entrar em operação em agosto de 2016. Segundo a empresa, é prevista a possibilidade do segundo trem de refino. E as unidades petroquímicas estão sendo avaliadas pela Braskem. Mas diz não ser possível informar no momento a previsão de arrecadação do empreendimento.

Sobre o impacto socioeconômico na região, a Petrobras diz apenas ter contratado a Fundação Euclides da Cunha e a Universidade Federal Fluminense (UFF), em parceria com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) para monitorar, desde 2000, as mudanças em 11 municípios da região do Comperj, incluindo Itaboraí. Já a Braskem, também em nota, afirma que o complexo petroquímico “segue como investimento estratégico e prioritário” da empresa. E ressalta que o empreendimento, que pretende atender a demanda de resinas plásticas do mercado nacional, é “uma peça fundamental para a expansão da petroquímica brasileira e da indústria de transformação plástica”. No momento, afirma, a empresa realiza estudos de engenharia para implantar o projeto e dialoga com a Petrobras e governos para buscar, respectivamente, “as melhores equações de matéria-prima e incentivos fiscais”.

Fonte: Jornal O Globo
Todos os direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

 

Última modificação em Qui, 12 de Fevereiro de 2015 15:09
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