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Autor(es): Adauri Antunes Barbosa Sobre pacote habitacional, presidente diz que objetivo é combater a crise e resolver o problema de moradia dos pobres SÃO PAULO. Lembrando sua experiência como sindicalista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recomendou ontem que os trabalhadores não peçam aumento de salário neste momento de crise mundial e contribuam para que as empresas possam recuperar as vendas, em vez de apresentar uma pauta de reivindicações com reajustes. Segundo Lula, o trabalhador deve ajudar a empresa a vender mais para que não sofra o impacto direto da crise e possa manter os empregos. — Como eu fui sindicalista e sei que quando há uma crise econômica, que a empresa não está vendendo seu produto, não há como a gente brigar para segurar o trabalhador se não há produção. Portanto, nós, hoje, mais do que fazer uma pauta de reivindicações pedindo mais aumento, temos que contribuir para que a empresa venda mais, porque quanto mais ela vender, mais vai ter que contratar trabalhador e mais a gente vai poder reivindicar aumento. Para Lula, em época de crise o trabalhador não tem como levar vantagem alguma. — Não existe possibilidade na história do mundo de os trabalhadores se beneficiarem em hora de crise. Não existe nem no Brasil, nem nos Estados Unidos, nem na Suécia, nem na Finlândia, muito menos no Reino Unido. Época de crise é época em que todos perdem — disse, em discurso durante visita na 17aFeira da Indústria da Construção (Feicon). Em defesa do programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida”, lançado esta semana, Lula disse que o projeto cumpre dois importantes objetivos: combater a crise e resolver o problema de moradia dos pobres do país. Mais uma vez garantiu que não vai lançar nenhum pacote econômico, para evitar a criação de “esqueletos”, que os governos têm que pagar 20 anos depois, como o Plano Bresser, o Plano Verão e o Plano Collor. E deixou clara a proposta que vai levar ao G-20 no dia 2 de abril: — Se a gente ficar com medo, tentando resolver apenas os problemas dos banqueiros que quebraram, a crise não vai acabar nunca. É preciso que se coloque os títulos podres no arquivo morto, que se coloque dinheiro novo para se fazer crédito. E vamos tocar o barco para a frente porque senão os pobres do mundo é que terão que pagar. Todo mundo sabe disso. Susto com valor do seguro e frustração com empresários Falando sobre as dificuldades para viabilizar o plano habitacional, cuja meta é construir um milhão de casas, Lula disse que levou “um susto” quando soube que o seguro poderia encarecer as prestações, sobretudo para os mais velhos, por isso o governo reduziu o valor. — Tomei um susto porque me apresentaram uma escala dos juros para a política de seguro de vida. Um jovem como eu, com mais de 60 anos, teria que pagar de seguro de vida 37% do valor da prestação. Um cidadão, que eu acho que (representa) a maioria das pessoas que compram casas, de 35 anos a 45 anos, teria que pagar 10% do valor da sua prestação de seguro de vida. Então você começava a tornar proibitivo as pessoas terem casa, porque você criava muito obstáculo. O presidente disse ter ficado frustrado quando os empresários consultados pelo governo disseram ter condições de construir 200 mil casas. — Eu falei: 200 mil casas é muito pouco. Isso, a Caixa está fazendo, é preciso aumentar — disse Lula. Declaração de Lula sobre olhos azuis repercute Lula afirmou que brancos são culpados RIO e VIÑA DEL MAR. A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a visita do premier britânico, Gordon Brown, ao Brasil, na quinta-feira, repercutiu na imprensa britânica ontem. Lula disse que os responsáveis pela crise econômica global são “brancos de olhos azuis”, provocando constrangimento no visitante. Os jornais “Times”, “Guardian” e “Independent” mencionaram o comentário de Lula já no título da reportagem sobre a visita de Brown. Para o “Guardian”, os “comentários de Lula animaram a viagem de cinco dias de Brown às Américas”. E acrescentou que o premier ficou “ligeiramente desconfortável” . O “Times” disse que Brown “atingiu um quebra-mola” e que as palavras de Lula sugerem uma reunião do G-20 tensa. A mesma linha do “Telegraph”, cujo título foi “Gordon Brown deve esperar G-20 apimentado”, acrescentado que Lula deixou Brown constrangido. A BBC ressaltou a fleuma de Brown: “se ficou contrariado, fez o possível para não mostrar”. O “Independent” também falou de embaraço. Já o assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, minimizou a declaração de Lula, afirmando que o presidente apenas usou uma metáfora. — O presidente Lula é um homem que fala muito por metáforas. Ele utilizou esta metáfora que, para bom entendedor, passa tranquilamente. Não tem qualquer conteúdo racista — disse Garcia, após um seminário preparatório para a Cúpula de Lideres de Estado Progressistas da qual Lula participará hoje em Viña del Mar, no Chile. Perguntado sobre a repercussão nos meios de comunicação britânicos, destacando o constrangimento de Brown, Garcia ironizou a imprensa londrina. — A imprensa londrina deve ter alguma capacidade de perquirição do cérebro do primeiroministro Gordon Brown — afirmou ele. Discurso de hoje contradiz o sindicalista de ontem Há 30 anos, greve durante recessão Nos poucos mais de 30 anos que separam o discurso de ontem de Lula — sugerindo que em tempos de crise não se deve pedir melhorias salariais — e a greve que ele liderou no ABC paulista, muita coisa mudou, a começar pela posição do sindicalista que se tornou presidente da República. A conjuntura econômica, porém, era de crise, tanto em 1978 como agora. Desde o fim do milagre econômico, em meados dos anos 70, o Brasil mergulhou em instabilidade e recessão, com altíssimos índices de inflação. Mas nem a crise econômica nem a repressão política do regime militar impediram que metalúrgicos iniciassem o movimento que se espalhou pelo ABC paulista e entrou para a história. Entre os pleitos, reajustes salariais e melhores condições de trabalho. Como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que pediu que se esquecesse o que escrevera como sociólogo, Lula parece padecer do estranho efeito que o cargo da Presidência exerce sobre a biografia de seus titulares. Vacina racialista O PRESIDENTE Lula parece conviver muito com militantes racialistas que atuam no seu governo para ter feito o comentário sobre a cor da pele, olhos e cabelos dos executivos de Wall Street e da City londrina. FALTA AGORA o Brasil propor, no encontro do G-20, cotas raciais para cargos executivos no sistema financeiro mundial, como medida preventiva contra crises. SE POLÍTICAS racialistas resolverão os problemas sociais do Brasil, no entender do Planalto, por que não haveriam de vacinar o mundo contra gripes e marolas financeiras? Petrobras e petroleiros fecham acordo Depois de três dias de negociações, Petrobras e sindicalistas chegaram ontem a um acordo em relação às reivindicações da categoria, e os petroleiros encerraram a greve de cinco dias iniciada na última segunda-feira. Segundo o diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Marlúzio Ferreira Dantas, a companhia aumentou o piso do pagamento da Participação sobre Lucros e Resultados (PLR) de 2008, que será paga em uma única parcela no próximo dia 5 de maio. A Petrobras aceitou também pagar horas extras no dia 1ode maio aos funcionários que trabalham em regime de plantão especial nas plataformas e refinarias. O dirigente da FUP disse que foi um avanço porque, até então, a Petrobras só pagava horas extras no Natal e Ano Novo. Quanto às reivindicações por melhores condições de segurança, vai ser realizada uma reunião em abril entre os sindicalistas e representantes das áreas de Abastecimento de Exploração e Produção. Durante a paralisação nacional, a FUP garantiu que a adesão à greve foi forte nas unidades operacionais, com redução na produção de petróleo e derivados. A Petrobras garantiu que isso não ocorreu, mas recorreu a equipes de contingência. Fonte: JORNAL O GLOBO Informação destacada: Texto sublinhado Esta notícia foi reproduzida para fins didáticos. 
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