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Nós temos 40 visitantes e 1 membro online| Em Angra dos Reis, água da chuva penetrou tanto o solo quanto a rocha, segundo especialistas |
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| Qua, 06 de Janeiro de 2010 00:06 | |
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Os deslizamentos de terra que atingiram o Morro da Carioca, no Centro de Angra dos Reis, a Ilha Grande e as estradas que circundam a área não surpreenderam os especialistas no assunto. Pelo menos 50 pessoas morreram nos acidentes. A chuva é a grande vilã da tragédia, pois a região apresenta um dos índices pluviométricos mais altos do país. Segundo o professor de geotecnia da Coppe/UFRJ, Maurício Erlich, a água que gera instabilidade na região penetra inteiramente nos terrenos, atingindo tanto o solo quanto a rocha, da base ao cume. - As pessoas pensam que a rocha é impermeável, mas a água entra nas fraturas da pedra, gerando uma pressão de água muito forte, forçando o solo para cima - explica o especialista. Ele afirma que a estabilidade da camada de terra está relacionada ao atrito com a rocha, que é comprometido pela penetração da água. Segundo Cláudio Amaral, geólogo do Departamento de Recursos Minerais do estado e professor da Uerj e da PUC, as fraturas na rocha são típicas na Serra do Mar. - A Serra do Mar tem um relevo associado às falhas tectônicas, o que explica as fraturas na rocha e as encostas íngremes, outro fator que potencializa os deslizamentos - diz Amaral. Ele está agora no Centro de Angra do Reis, pela quinta vez em 20 anos, para lidar com problemas de deslizamentos de terra. Com uma equipe da prefeitura local, o especialista avalia o número de casas que precisam ser interditadas ou demolidas na região . Até agora, foram feitas 663 vistorias e 221 interdições, sendo 112 só no Morro da Carioca. - Nos lugares dos acidentes, há 12 setores onde o risco remanescente é alto, o que justifica o número grande de interdições. Isso não significa que a situação está tranquila nos demais setores. Estamos trabalhando numa hierarquia, indicando primeiro onde o risco é iminente - explica Amaral. O grande fluxo de água que podia ser visto, após a avalanche, descendo a encosta da Enseada do Bananal, na Ilha Grande, é resultado da infiltração na rocha, segundo Maurício Erlich, da UFRJ. - Aquela água é que estava pressionando a camada de solo. Além disso, temos a pressão na base da encosta. Quando a base se rompe, o solo desce por inteiro. A parte de baixo rompe primeiro. Aliviando a parte de baixo, a parte de cima vem junto - diz ele. Ele acrescenta outros fatores que caracterizam a região como área de risco de deslizamentos. - A camada de solo apresenta pouca espessura. Quando chove, com a penetração da água, temos a saturação do solo e o aumento do peso de sua massa, o que acontece tanto na parte alta quanto na parte baixa do relevo, diminuindo a resistência do terreno como um todo - explica. Na sua avaliação, no Centro de Angra, na comunidade Morro da Carioca, a ocupação desordenada agrava a situação, com cortes de terreno, aterros e tubulações que podem apresentar vazamentos ou infiltrações. - A ocupação desordenada não tem engenheiro. Um técnico procuraria compensar os efeitos danosos das construções. O pessoal constrói de qualquer jeito e fica sujeito a uma loteria. As favelas não pedem aprovação para fazer obra. A única garantia deles é Deus mesmo - diz Erlich. O geólogo Álvaro Rodrigues dos Santos, ex-diretor do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo e especialista no solo da região da Serra do Mar, destaca que a região tem uma tendência natural a escorregamentos de terra e rocha. - O risco na Serra do Mar é permanente. Há milhões de anos a serra é caracterizada por esses eventos. Os municípios ao longo dela têm que ter condição de planejar seu crescimento urbano - disse ele ao site G1. Ambos destacam a urgência de se realizar um mapeamento técnico dos terrenos da região, para inibir a construção desordenada, que facilita o deslizamento. - O ideal era que todo o estado tivesse um plano de ocupação e várias áreas fossem consideradas não-edificantes, como o Morro do Carioca e Enseada do Bananal - acrescenta o professor de geotecnia da Coppe/UFRJ. Álvaro criticou ainda a técnica usada na construção das estradas Rio-Santos e da Mogi-Bertioga. - São estradas que optaram por cortar as encostas e que ainda vão pagar um altíssimo preço por essa imprudência técnica - diz. Na sua avaliação, um caminho mais seguro seria privilegiar túneis e viadutos. Ludmila Curi e G1 Publicada pelo Globo On line em 04/01/2010
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